Para ser sincero nunca fui grande fã desta prova. Apesar de eu até me dar bastante bem com provas com algum acumulado por uma razão ou outra esta meia de Cascais nunca me correu de feição e chegou já a fazer alguns estragos até.
Dito isto (ou até mesmo por isto) para a edição de 2025 estava altamente focado e com vontade de ajustar contas com a prova. Além disso ando mesmo a tentar procurar provas com acumulado, já que vai ser isso o que me espera em Boston, daqui a uns meses.

Após uma semana bastante favorável, cheguei com confiança a Cascais. Após o habitual encontro com a equipa para apanhar o dorsal fui aquecer e, depois, trocar para o equipamento do prova. Ia também muito curioso já que ia estrear (em prova!) os meus Nike Alphafly 3! Vão ser os meus modelos de eleição para Boston e queria-os já usar neste tipo de provas. (Podem também esperar uma review dos mesmo, aqui no blogue, no futuro!)
Cheguei à zona de partida ainda com alguma margem (já tive problemas em edições anteriores em começar muito atrás e devido a isso perder demasiado tempo ao ínicio) e consegui assim começar bem lá à frente.
O objectivo para esta prova – na minha mente – era bem claro: bater o meu RP (1h18:15) e se possível ainda entrar nas 1h17. Para isso tinha que andar sempre ali junto (ou mesmo abaixo) dos 3:40/km. Saí assim forte e mesmo com a grande súbida inicial, junto ao hipódromo, consegui manter os ditos 3:40/km.
Durante os próximos quilómetros juntei-me ao grupo do Lino Barruncho, com uma série de atletas dele. Este acabou por ser, ainda tão cedo, um momento crucial da prova. Seguia-mos a um ritmo mais alto do que inicialmente eu tinha projectado – fizemos sucessivos quilómetros a 3:35/3:36 – mas por um lado sentia que não ia em esforço excessivo e sabia que, depois do retorno no fim do Guincho ia levar com vento de frente e aí, obrigatoriamente, tinha de ir nalgum grupo.
Entrámos assim na estrada do Guincho propriamente dita, ainda com o referido grupo e na companhia de outros veteraníssimos destas andanças, como o Paulo Garcia d’Os Belenenses. O ritmo continua vivo e cheguei a descolar ligeiramente sendo que, mantendo o ritmo pretendido nunca fiquei mais do que 5 metros atrás. A verdade é que, quando pouco já faltava para o retorno (cerca de 11kms feitos) colei novamente no dito grupo e aí começamos a revezarmo-nos na frente.
Depois do retorno aos 12kms, e já com o vento de frente, começou a parte crucial da prova. Aqui foi aguentar ao máximo, tentar não perder o comboio e aguentar ao máximo o ritmo (que desceu ligeiramente mas andou sempre ali nos 3:40/km baixos). Assim, quilómetro a quilómetro, a estrada do Guincho foi-se fazendo. Inclusivé, por uma ou outra vez, senti o ritmo a baixar e optei por ir para a frente e tentar avivar a coisa.

Chegados então ao km 18, vinha o ultimo grande obstáculo da prova: a subida até à Repsol. Aqui foi mesmo tentar não quebrar ao máximo (fiz um parcial de 3:50, o que não foi mau de todo) e, chegando lá acima, tentar por tudo retomar o ritmo alvo. Como seguia ainda (e até ao fim da prova) com o Lino e mais uns quantos atletas acabou por haver muita entre ajuda e assim se fizeram os quilómetros derradeiros, com a descida do hipódromo a ser feita a todo o gás.
Já perto da Marina ainda ouvi o Ernesto, o patrão do GFD Running, a dar um incentivo extra que precisava. Confesso que durante a prova não fiz grandes contas a tempos mas sabia que ia dar RP de certeza. Ainda fiz aquele forcing final para ver se o sub1h17 cabia mas já era muito apertado. No final deu para 1h17m13s!
Numa prova com este acumulado foi uma melhoria de 1m30 face à Meia Maratona dos Descobrimentos (que fiz à cerca de 2 meses e que tem um acumulado praticamente nulo) e uma melhoria de 1m17s relativamente ao meu anterior recorde (feito em Ovar em 2022, quando treinava para Nova Iorque).

Foi, assim, uma excelente prova e uma validação que o treino está a ser bem absorvido. Aproveitei esta prova também para testar já algumas coisas que tenciono fazer para Boston. Começando já pelo calçado onde estreei os Nike Alphafly 3 e que deram uma resposta muito positiva.
A nível nutricional usei géis de Maurten (os mais pequenos, e sem caféina) bem como capsulas de eletrólitos (até aqui nada de novo). O que foi novidade nesta preparação foi ter feito um load de nitratos (através de shots de sumo de beterraba concentrado) nos dias que antecederam a prova.
Se isto realmente fez a diferença? Não sei dizer. Como tudo na corrida, o sucesso (e insucesso) é sempre uma mistura de diversos factores, encabeçados principalmente pelo treino e descanso. Existem um outro sem número da àreas como o calçado, nutrição, recuperação, reforço e por aí fora (até as próprias condições do dia de prova) que podem influenciar a performance e, dentro do possível, há que ir tentando melhorar em cada uma delas.
Daqui a 2 semanas há outra prova por isso até lá é recuperar desta e continuar a tentar encaixar cada treino, dia-a-dia. Até lá!

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