Ora vamos lá voltar a escrever umas coisinhas para aqui, volvido mais de um ano!

A verdade é que 2024 foi um ano bastante atípico. Tinha uma série de artigos e ideias planeadas mas uma lesão algo grave logo no ínicio do ano deitou tudo por água abaixo. Perdoem-me a extensão deste texto mas queria tentar condensar tudo num só artigo e assim fechar esse capítulo. Começemos pelo ínicio.

A começar a ser orientado por um novo treinador (o David Matos) e com os olhos postos na maratona de Boston, em Abril, Janeiro de 2024 começou uma coisa diferente: um training camp de duas semanas – organizado pela equipa da Sweat Elite – em Monte Gordo. A ideia seria uma espécie de kickstart do bloco da maratona o que decerto seria ajudado ao treinar uma série de pessoas diferentes mas todas com o bichinho da corrida.

A primeira semana correu muitissimo bem. Foi possível descobrir todas as grandes vantagens que Monte Gordo oference para quem gosta de correr e, pelo caminho, fazer alguns contactos e amizades que ainda se prolongam até hoje. A coisa deu para o torto ao segundo treino longo, no Domingo a 14 de Janeiro.

Num treino de zona 3, com 10 x 6’ de treino estruturado para fazer, comecei a sentir algum desconforto no fundo das costas, do lado direito. Pensando que fosse alguma tensão acumulada (derivado do volume – e intensidade – dos treinos da semana que havia passado) continuei o treino (faltavam-me umas 3 repetições) mas sempre com o desconforto em crescendo. No fim do treino, já a frio, a verdade é que mal conseguia andar e cada passada era extremamente dolorosa.

Segunda foi dia de descanso de corrida e, aprovetei para fazer algumas caminhadas que (com a ajuda de alguns anti-inflamatórios) pareceram ajudar já que o desconforto estava mesmo muito mais controlado. E o que é que o Luís decidiu fazer na terça-feira? Tomar mais um anti-inflamatório e ir tentar fazer as séries de 400m que estavam agendadas. Ainda fiz duas. Mais fiquei por aí.  Mal sabia eu que só voltaria a correr passados quase quatro meses.

Como é óbvio a não dor não só passou como agravou. Ainda aguentei quarta-feira mas optei por terminar o training camp mais cedo, voltar para Lisboa, e tentar perceber o que se passava. Nas urgências um primeiro Raio-X não detetou nada. Só com uma ressonância magnética é que foi possível ver o problema: fractura de stress no osso sacro, à direita..

Os planos para Boston caíam, assim, com estrondo. O período entre Janeiro e Maio foi sempre de alguma incerteza. Uma segunda ressonância, em finais de Fevereiro, ainda mostravam sinais de fractura e só em Maio, um terceiro exame (e acompanhamento por um novo ortopedista, ligado ao departamento médico do Benfica) revelaram a fractura completamente fechada.

Durante este tempo todo nunca fiquei parado, muito antes pelo contrário! Como referi no início do ano tinha começado a trabalhar com um treinador diferente que, por sinal, é também treinador de triatlo. Consegui, assim, fazer a transição para a bicicleta (rolos, com o Zwift) e manter níveis altos de volume e intensidade nos treinos. Acabou por ser uma experiência bastante interessante já que apesar de ter uma stamina elevada a potência muscular (orientado ao ciclismo) não estava presente inicialmente. Com o tempo isso mudou e acabei por conseguir fazer treinos (e provas virtuais) bastante interessantes durante os meses da lesão.

Em paralelo não esqueci também nunca o reforço muscular e trabalho de fisioterapia e mobilidade no GFD!

Chegando a Maio, com tudo ok do ponto de vista de lesão, o regresso aos treinos foi feito com o maior dos cuidados: corridas bem curtas (começaram por nada mais que 10 minutos) em piso mole e sem qualquer preocupação com ritmos (mas qualquer coisa mais rápida que 5’30’’ era complicada de atingir!). Acabou por ser um pouco um balde de água fria. Acreditava, com todo o treino que tinha feito na bike, que o regresso à corrida fosse mais fácil.

Ainda assim, e como a palavra de ordem é consistência, fomos sempre procurando aumentar gradualmente os treinos e incluir algumas rectas no fim dos treinos para dar aquele estimulo neuro-muscular que muito sentia falta.

A 15 de Junho faço a minha prova, a Marginal à Noite, puramente numa perspectiva de treino. Como a prova começa e acaba no mesmo sítio procurei fazer na primeira metade um ritmo completamente de treino (fui praticamente sempre a 5’00’’/km) e depois do retorno, e consoante as sensações, aumentar progressivamente o ritmo. Assim fiz e a verdade é que acabei inclusive abaixo dos 4’00’’/km e sem qualquer tipo de dor, o que foi certamente uma primeira vitória (em paralelo a minha irmã participou também, e pela primeira vez, nesta prova o que tornou o dia ainda mais especial).

Cerca de um mês depois, a 13 de Julho, alinhava então na primeira prova de 10Km, na Lagoa de Santo André. Aqui (e com um mês de treinos já feitos) já ia com objectivos mais concretos e a querer andar mais rápido. Consegui correr para 38:41. Ainda muito longe do meu RP (35:26) e com sensações mistas. Por um lado senti-me bem melhor que na Marginal à Noite mas notava que qualquer ritmo abaixo das 3’50’’/km ainda era demasiado rápido para mim. 

Ficou, no entanto, esta marca como barómetro: seguir-se-ia uma período de 2 meses intensos de treino (que nem as férias de verão abalaram). A verdade é que o treino durante este período foi entrando bastante bem. Entre séries longas e curtas, treinos de rampas e treinos de trail (uma visita semanal ao Monsanto, para fazer um treino a rolar, tornou-se um pilar da minha semana de treinos e que muito tem ajudado) sentia-me sempre numa progressão ascendente de forma!

Chegámos então a Setembro, programei – juntamente com o David – uma sequência de 3 provas de 10Kms, espaçadas em 15 dias cada uma.

A 15 de Setembro corri a Corrida do Tejo para 37:25. Uma melhoria de mais de um minuto face a Santo André e boas sensações numa prova onde estava bastante calor e uma altimetria que não é das melhores.

A 29 de Setembro corri a Corrida Bimbo (Belém). Bastante vento mas uma altimetria totalmente plana. Confesso que, começando com esta prova (ou talvez depois do Tejo) mentalmente consegui desligar algo e começar a correr mais sem medos (mesmo antes da lesão sentia que corria sempre, nas provas, com medo de “exagerar”). Este desbloqueio mental (que como irão ver irá começar a ser recorrente e importantíssimo) permitiu-me correr mais livremente e conseguir a marca de 36:42. Menos 30’’ em 15 dias e um 1º lugar no escalão V35!

Finalmente a 13 de Outubro participei na corrida do meu Sporting! Novamente uma prova com uma altimetria terrível (mas que no fundo eu acho que até gosto!) mas o correr sem medos fez das suas novamente: 36:24! Nova melhoria em apenas 15 dias!

Acredito firmemente que, apesar das primeiras semanas de regresso aos treinos não terem sido fáceis, todo aquele treino de ciclismo que fiz foi – e tem sido – essencial para este progresso tão acentuado. O ciclismo continuou sempre presente na semana de treinos, quer nos dias OFF quer como bi-diário. 

Paralelamente, enquanto não podia correr e, dia sim, dia sim, fazia sessões intermináveis de bicicleta, assentei que aquilo ainda iria dar a alguma coisa gira. E deu.

A 3 de Novembro, em Ílhavo, participei no meu primeiro duatlo: 5km a correr, 18km de ciclismo e 2.5km a correr. Foi uma experiência fantástica e uma aprendizagem. Durante a primeira corrida, que foi algo gerida, andei a correr para cerca de 3’40’’/km sendo que fui para a primeira transição no top 10 (creio que em 7º se não me engano). Já o ciclismo foi outra história!

A minha total falta de experiência (foi literalmente a primeira vez que pedalei ao pé de outras bicicletas) fez com que perdesse o comboio rapidamente. Daqueles 18kms estimo ter feito no máximo 500m atrás de alguém. A verdade é que a cada volta (eram 3) fui ganhando confiança e conseguir pedalar mais rápido.

Acabei com uma média de ~35km/h o que, para alguém que andou sempre sozinho, não creio ser mau de todo. De volta à corrida (nem vamos falar das transições porque essas também eram para rir) fiquei espantado com a dificuldade que foi em voltar a correr rápido. Parece que tinha dois troncos em vez de pernas e qualquer coisa abaixo de 3’45’’/km era penoso. Ainda assim acho que não era só eu a passar mal porque, nesses míseros 2.5km ainda consegui ultrapassar uns 5 ou 6 atletas.

Experiência brutal e que certamente quero voltar a repetir. Feito isto era hora de voltar a focar na corrida e no mês de Dezembro que se adivinhava interessante.

O mês de Dezembro começou logo com a Meia Maratona dos Descobrimentos que correu também de maneira bastante favorável. Acabei com 1:18:45, a cerca de 30 segundos do meu RP. Deu para perceber que a velocidade já estava a ficar no ponto mas ainda faltava algum volume para conseguir render em provas mais longas.

Vieram então as São Silvestres. Como tem vindo a ser hábito aponto sempre para a prova da Amadora mas este ano quis também fazer a SS do Crato. Fui para esta prova totalmente despreocupado o que acabou por ser excelente. Para uma prova com 10,5 Kms e cerca de 90m de acumulado consegui fazer excelentes médias e o Garmin ainda me apontou um RP aos 10Kms (que vale o que vale…).

Uma semana e pouco depois, chegou então a SS da Amadora. Aproveitando o embalo da prova anterior procurei ir com tudo (os primeiros 2kms, que são sempre a subir, foram mesmo feitos a dar tudo) o que foi a chave para o sucesso. Acabei por fazer, de facto, um novo RP aos 10kms (35:23) e isto numa prova com + 100m de acumulado. Sinto que o sub35 está quase ao virar da esquina e acabou por ser uma maneira muito boa de finalizar um ano tão atribulado.

luismachado5 Avatar

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